A exposição mais intensa que já vi não foi do Escher, nem dos impressionistas (porque eu desisti de entrar graças a fila constante e quilométrica) nem qualquer outra que não fosse essa, por ter um piano no teto. Nada impede uma pessoa de ter um piano no teto, é claro. O Louco da Turma da Mônica é a prova de que era possível ter vários objetos no teto. Mas o piano no teto daquela mulher não era só um piano e não era apenas preso no teto. O piano parecia normal na primeira vez que o vi. Era bonito, brilhante e todo fechado. E estava no teto. Até me impedirem de sair da sala, depois de alguns minutos observando-o, com os dizeres de que "se eu fosse embora perderia o que era importante." e não fazia o menor sentido, já que a ideia estava ali, suspensa e extremamente óbvia. Ou era o que eu pensava.
Ao ouvir um som estranho de eletricidade alta sendo ativada, ouvi o barulho que fazia no alto da minha cabeça e senti meu corpo todo gelar. O piano estava sendo destruído, na minha frente, e não fazia sentido de como. Aquele choque me fez ficar catatônica, observando com um misto de medo e fascinação. O som final da destruição do piano era alto e forte, a sonoridade era sentida dentro do peito. Era como um grito final de um animal que sabia de seu próprio fim. O piano morreu, sem nunca ter tido alguma vida.
Ao final de alguns minutos contados no relógio, o piano se reergueu. As teclas se corrigiram, os pedais se encaixaram e as tampas se fecharam num momento de clímax.
Acima do material, do que se diz sem vida, a vida reaparecia naquela sala, pendurada no teto.
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