Enquanto sinto meus pulmões trabalharem dobrado para que eu não sinta os efeitos das minhas doencinhas chatinhas - e, obviamente, não tendo sucesso - o cansaço vem com a força de uma recém infecção pulmonar. Não tem graça rir da desgraça, me diriam, e eu sorriria e diria que é só isso que me sobra às 00h40 de uma sexta-feira, sozinha e com frio. E aew começaria a tossir de leve, sentindo um leve queimar na garganta e nos pulmões. Que beleza, mas um problema pra coleção.
Acima de tudo isso eu estou sorrindo, como estava antes. Cansa, mas acabo sempre sorrindo. E então um amigo fala "é sexta-feira, amor." e aquela dorzinha bate forte como um tambor, só que sem o tic tic tic tac. É, mais uma bobagem pra despreocupar a preocupação, né? Assim segue minha maratona entre pequenas dores e grandes sorrisos sem risos, ou risos sem sorrisos, que resultam em madrugadas frias e longas. Mas com boas piadas e amigos queridos.
Deve ser isso o que realmente importa.
quinta-feira, 25 de julho de 2013
domingo, 21 de julho de 2013
Cartas para alguém.
Eu queria me sentir bonita, sem precisar da aprovação de ninguém. Eu acho bobagem, mas não consigo superar esse complexo. E não é que eu me ache feia, só não me acho bonita.
Não me acho nada, na verdade. Não me acho inteligente, nem divertida. Não me acho simpática, nem antipática. Não me acho gentil. Não me acho.
Não tenho certeza de mim, e tenho constantes certezas dos outros. E não gosto disso.
Se de mim falta tanto, como posso afirmar de pé junto que fulano é isso e aquilo? Só por pura pretensão.
Só queria não me apagar tanto, e definir tanto os outros.
Não me acho nada, na verdade. Não me acho inteligente, nem divertida. Não me acho simpática, nem antipática. Não me acho gentil. Não me acho.
Não tenho certeza de mim, e tenho constantes certezas dos outros. E não gosto disso.
Se de mim falta tanto, como posso afirmar de pé junto que fulano é isso e aquilo? Só por pura pretensão.
Só queria não me apagar tanto, e definir tanto os outros.
sexta-feira, 19 de julho de 2013
Cartas para ninguém.
Já passa das 23h30 e enquanto eu ficava pensando em como a gente simplesmente esquece que o tempo passa rápido, o dia acaba e fica aquele sentimento de "amanhã eu termino isso"; sendo que é uma mentira tão boba. Pra quê dizer isso pra si mesmo, sabendo que não fará nada? A gente acaba nunca fazendo nada.
Eu culpo a falta de oportunidade de mudar tudo que eu acho que deveria ter mudado antes, né. Mas enquanto culpo o passado e peço ao presente para não se tornar futuro meus amigos se perdem nas ruas escuras da cidade ou são lançados num buraco fechado com grades e prescrições médicas para não lembrarem mais quem são.
E ouço mais e mais que não vivo a minha vida e só faço o que o faço para e pelos outros, sem entender como seria viver de verdade. Acordar e levantar da cama para desligar o despertador não é viver? Desejar bom dia para aquele serzinho delicadamente frágil que me olha com preguiça, como se pedisse para que evitasse que o dia se tornasse mais uma repetição, não é realmente viver?
Agora eu só penso e escuto, sem saber exatamente de onde vem esse som. Talvez seja da minha cabeça, ou só da rua onde alguém que se perdeu está se encontrando.
Por enquanto eu fico aqui, pois já são meia-noite.
Eu culpo a falta de oportunidade de mudar tudo que eu acho que deveria ter mudado antes, né. Mas enquanto culpo o passado e peço ao presente para não se tornar futuro meus amigos se perdem nas ruas escuras da cidade ou são lançados num buraco fechado com grades e prescrições médicas para não lembrarem mais quem são.
E ouço mais e mais que não vivo a minha vida e só faço o que o faço para e pelos outros, sem entender como seria viver de verdade. Acordar e levantar da cama para desligar o despertador não é viver? Desejar bom dia para aquele serzinho delicadamente frágil que me olha com preguiça, como se pedisse para que evitasse que o dia se tornasse mais uma repetição, não é realmente viver?
Agora eu só penso e escuto, sem saber exatamente de onde vem esse som. Talvez seja da minha cabeça, ou só da rua onde alguém que se perdeu está se encontrando.
Por enquanto eu fico aqui, pois já são meia-noite.
sábado, 6 de julho de 2013
Sobre identificação.
Não me abri pra nenhum, só me deixei exposta. Talvez seja essa a questão que me afastou daqueles que deveriam ter sido os mais próximos. Mas não importou muito, pois eu reconheci você. Não, não acho que te conheci ali, como você mesma disse, isso vem de bem antes. Talvez seja bobagem, mas eu tive a certeza ao ficar em silêncio na sua frente por mais de 5 minutos, só olhando no fundo dos seus olhos e sendo olhada. Não houve situação mais aterrorizante que aquela, e eu sempre te disse que se fosse para alguém me quebrar seria você. E lá estávamos nós. Em silêncio. Sentadas no chão frio. E as lágrimas nos meus olhos rolavam como uma cachoeira intensa, com tudo que eu nunca quis mostrar a ninguém.
Então eu soube que confiaria minha vida à você. Não sei seu sobrenome, seus sonhos ou nada fora dessa vida de sentar, respirar, meditar e seguir em frente, ou talvez saiba bem mais do que penso saber. Porque eu te vi também, e tudo aquilo aqui que transbordou em águas e sal teve algum efeito em você também.
A cada mês que passa um pequeno e rápido pensamento surge em minha mente, dizendo "acho que ela gostaria de saber disso!" e depois se esvai, escorre pela chuva do tráfego ou as cinzas da poluição. Não é sua culpa, entende? Eu não sei fazer isso. Não sei deixar alguém que não é constante entrar, só que deixei você. E não me arrependo, porque eu sei que em algum dia da semana aleatório a gente vai se esbarrar e o seu sorriso ao me ver será igualmente grande e feliz quanto o meu. Mesmo sendo em uma sala, com cinquenta outras pessoas, por apenas alguns minutos. Será como na primeira vez, com um olhar seguro e um sorriso divertido. Uma identificação mútua e instantânea.
Então eu soube que confiaria minha vida à você. Não sei seu sobrenome, seus sonhos ou nada fora dessa vida de sentar, respirar, meditar e seguir em frente, ou talvez saiba bem mais do que penso saber. Porque eu te vi também, e tudo aquilo aqui que transbordou em águas e sal teve algum efeito em você também.
A cada mês que passa um pequeno e rápido pensamento surge em minha mente, dizendo "acho que ela gostaria de saber disso!" e depois se esvai, escorre pela chuva do tráfego ou as cinzas da poluição. Não é sua culpa, entende? Eu não sei fazer isso. Não sei deixar alguém que não é constante entrar, só que deixei você. E não me arrependo, porque eu sei que em algum dia da semana aleatório a gente vai se esbarrar e o seu sorriso ao me ver será igualmente grande e feliz quanto o meu. Mesmo sendo em uma sala, com cinquenta outras pessoas, por apenas alguns minutos. Será como na primeira vez, com um olhar seguro e um sorriso divertido. Uma identificação mútua e instantânea.
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