sábado, 6 de julho de 2013

Sobre identificação.

Não me abri pra nenhum, só me deixei exposta. Talvez seja essa a questão que me afastou daqueles que deveriam ter sido os mais próximos. Mas não importou muito, pois eu reconheci você. Não, não acho que te conheci ali, como você mesma disse, isso vem de bem antes. Talvez seja bobagem, mas eu tive a certeza ao ficar em silêncio na sua frente por mais de 5 minutos, só olhando no fundo dos seus olhos e sendo olhada. Não houve situação mais aterrorizante que aquela, e eu sempre te disse que se fosse para alguém me quebrar seria você. E lá estávamos nós. Em silêncio. Sentadas no chão frio. E as lágrimas nos meus olhos rolavam como uma cachoeira intensa, com tudo que eu nunca quis mostrar a ninguém.
Então eu soube que confiaria minha vida à você. Não sei seu sobrenome, seus sonhos ou nada fora dessa vida de sentar, respirar, meditar e seguir em frente, ou talvez saiba bem mais do que penso saber. Porque eu te vi também, e tudo aquilo aqui que transbordou em águas e sal teve algum efeito em você também.
A cada mês que passa um pequeno e rápido pensamento surge em minha mente, dizendo "acho que ela gostaria de saber disso!" e depois se esvai, escorre pela chuva do tráfego ou as cinzas da poluição. Não é sua culpa, entende? Eu não sei fazer isso. Não sei deixar alguém que não é constante entrar, só que deixei você. E não me arrependo, porque eu sei que em algum dia da semana aleatório a gente vai se esbarrar e o seu sorriso ao me ver será igualmente grande e feliz quanto o meu. Mesmo sendo em uma sala, com cinquenta outras pessoas, por apenas alguns minutos. Será como na primeira vez, com um olhar seguro e um sorriso divertido. Uma identificação mútua e instantânea.

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