sexta-feira, 19 de julho de 2013

Cartas para ninguém.

Já passa das 23h30 e enquanto eu ficava pensando em como a gente simplesmente esquece que o tempo passa rápido, o dia acaba e fica aquele sentimento de "amanhã eu termino isso"; sendo que é uma mentira tão boba. Pra quê dizer isso pra si mesmo, sabendo que não fará nada? A gente acaba nunca fazendo nada.

Eu culpo a falta de oportunidade de mudar tudo que eu acho que deveria ter mudado antes, né. Mas enquanto culpo o passado e peço ao presente para não se tornar futuro meus amigos se perdem nas ruas escuras da cidade ou são lançados num buraco fechado com grades e prescrições médicas para não lembrarem mais quem são.
E ouço mais e mais que não vivo a minha vida e só faço o que o faço para e pelos outros, sem entender como seria viver de verdade. Acordar e levantar da cama para desligar o despertador não é viver? Desejar bom dia para aquele serzinho delicadamente frágil que me olha com preguiça, como se pedisse para que evitasse que o dia se tornasse mais uma repetição, não é realmente viver?

Agora eu só penso e escuto, sem saber exatamente de onde vem esse som. Talvez seja da minha cabeça, ou só da rua onde alguém que se perdeu está se encontrando.
Por enquanto eu fico aqui, pois já são meia-noite.

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