domingo, 25 de novembro de 2012

What is love without tragedy?

Sexta-feira foi um dia difícil. Depois de um intensivo de cuidado que meus amigos me deram, e de ser uma boa filha apesar do meu estado, cheguei na casa do Leo Arroniz pra receber abrigo e carinho.

Leo sempre foi um amante assuido da Mitologia Grega e do Antigo Egito, sendo uma das pessoas mais interessadas e conhecedoras sobre estes assuntos (depois dos meus amigos historiadores). Enquanto estávamos deitados, e eu acalmava minha respiração depois de falar dos eventos do dia e das discussões com pessoas sobre o que ocorrera, ele me perguntou se eu conhecia a história de Eros. Eu ri, é claro. Quem não conhece a história do Deus do Amor, filho de Afrodite?
Ele riu, se virou pra mim e disse que não era essa história. Existem muitas histórias de nascimento de deuses, e Eros tinha uma que ele adorava.

Pênia, a deusa da pobreza e da penúria, não foi convidada para a festa no Olimpo. Apenas quando a festa acabou ela adentrou no Olimpo para ficar com os restos. Quando terminou de se alimentar, Pênia viu Poros desmaiado no chão. Poros era o deus da riqueza e da abundância, o oposto de Pênia. Ao vê-lo, Pênia se encantou por ele e se uniu a ele. Dessa união nasceu Eros, o deus do amor. Eros nasceu com as características mais marcantes de seus pais, fazendo assim a ideia do amor ser hora completa plenitude, hora a escassez e necessidade de mais.

Talvez seja difícil suportar a escassez que vem, mas sem ela nunca saberíamos como é lindo e poderoso o momento de plenitude.
"Boa noite, Leo. Obrigada."

domingo, 18 de novembro de 2012

Sobre parar de tentar.

Muitos amigos meus tem a certeza de que eu virei Hare Krishna, graças ao Curso de Respiração-Meditação-Yoga que eu fiz (e estou agora como voluntária). O que é, obviamente, tão certo quanto achar que eu sou hétero.
A única coisa que esse curso me dá é apoio. Porque cansa encher o saco dos seus amigos falando sempre sobre o mesmo problema, e lá eu aprendo a enfrentá-lo da melhor maneira que eu posso. E aceitar minhas limitações, assim como superar meus medos.
Na primeira vez foi assim. Eram 130 pessoas num chão frio, fazendo yoga em cangas e fazendo meditação sentadas sem apoio. E isso talvez tenha nos diferenciado do resto dos participantes. A gente teve que sofrer pra aprender. 

Não tem nada mais mágico do que ouvir "A vida, às vezes, é um grande balde de merda. Mas a escolha de se enfiar até se afogar nele é sua." e concordar rindo muito. 
Não tá fácil. Parece que o sentimento de liberdade fugiu de todos que estão lá, fazendo todos nós estarmos super pra baixo. 
Essa história dela não falar comigo me abala todos os dias, ainda. E tenho certeza que isso vem piorando meu desempenho e tirando meu foco. Mas, como eles mesmo dizem, não devo ser muito dura comigo mesma, pois tudo tem seu tempo...
Mas me recuso a apenas tentar, e depois, usar isso como uma desculpa para uma falsa sensação de limpeza de consciência. Não vai funcionar, ela continuará não falando comigo e eu continuarei sofrendo e magoada. Então eu desisto de tentar. 
E FAÇO. 
Porque tentar é saber que eu vou falhar. É apenas um "eu fiz minha parte". E eu não quero mais só fazer minha parte, eu quero fazer o meu máximo. Mesmo que seja em vão, e me deixe pior na hora. Pra depois saber que tudo que eu podia fazer eu fiz, e se não deu certo não era pra dar.

Não acho que ficou muito coerente... mas não era pra ser. Era pra ser uma decisão de parar de tentar. E escrever, mesmo ainda deprimida, faz a decisão ser mais real pra mim.

quarta-feira, 7 de novembro de 2012

Fecha o olho e solta o choro.

Depois de pensar muito sobre reclamar intensamente da minha vida, enquanto Montreal do The Weeknd me fazia encher os olhos d'água, eu pensei: não adianta reclamar mais.

Minha (pen)última desilusão amorosa me trouxe de presente anorexia nervosa, já não bastasse o meu problema anterior ligado a esse. Não tinha como piorar. E, pra ficar ainda mais legal, eu fugia da minha própria faculdade.
Não que eu esteja culpando ela. Quem amava era eu. Quem entrou na mais profunda ilusão fui eu. E eu fui sozinha. A prova disso foi ela arrumar um namorado poucos meses depois de me mandar sumir da vida dela.

O que me fez aprender que é muito fácil ser esquecido. De verdade. Ser esquecido é tão simples quanto dormir com prescrição médica. Porque, sem o contato, você não percebe que está sumindo. Você vira uma música, um presente antigo, uma história engraçada de uma festa. Você vira uma memória, mesmo ainda estando vivíssimo da silva.

Eu já virei memórias de tantas pessoas que já me acostumei, acho. Numa parte dessa música o cantor diz:
"But Baby I'm a pro at letting go
I love it when they come and go
"
E talvez eu pense assim também... Talvez eu ame quando elas se vão. Assim é mais fácil, sabe? Ser apenas uma memória.

Então eu não minto quando digo que tenho prazo de validade. Acredito eu que todos temos. E, por mais que eu lute contra isso, acabo sempre nesse ciclo.
Dessa vez doeu mais, é verdade. Talvez por eu ter realmente acreditado que não viraria uma memória rápido. Ou que eu não era a única a sair perdendo se a amizade que tínhamos acabasse.
Mas, como toda mulher-quase-criança que cresceu com Disney e livros infanto-juvenis, sei que ficará tudo bem. Utópico e sem o menor fundamento, mas é o que mantém meus olhos menos inchados e meu foco nas minhas aulas. Assim como a comida que eu consigo comer no meu estômago.

Com tudo isso decidi que tenho que dar um tempo em relação às mulheres. Nada que me faça chorar ao som de Zé e Elba Ramalho pode ser sadio.