Sexta-feira foi um dia difícil. Depois de um intensivo de cuidado que meus amigos me deram, e de ser uma boa filha apesar do meu estado, cheguei na casa do Leo Arroniz pra receber abrigo e carinho.
Leo sempre foi um amante assuido da Mitologia Grega e do Antigo Egito, sendo uma das pessoas mais interessadas e conhecedoras sobre estes assuntos (depois dos meus amigos historiadores). Enquanto estávamos deitados, e eu acalmava minha respiração depois de falar dos eventos do dia e das discussões com pessoas sobre o que ocorrera, ele me perguntou se eu conhecia a história de Eros. Eu ri, é claro. Quem não conhece a história do Deus do Amor, filho de Afrodite?
Ele riu, se virou pra mim e disse que não era essa história. Existem muitas histórias de nascimento de deuses, e Eros tinha uma que ele adorava.
Pênia, a deusa da pobreza e da penúria, não foi convidada para a festa no Olimpo. Apenas quando a festa acabou ela adentrou no Olimpo para ficar com os restos. Quando terminou de se alimentar, Pênia viu Poros desmaiado no chão. Poros era o deus da riqueza e da abundância, o oposto de Pênia. Ao vê-lo, Pênia se encantou por ele e se uniu a ele. Dessa união nasceu Eros, o deus do amor. Eros nasceu com as características mais marcantes de seus pais, fazendo assim a ideia do amor ser hora completa plenitude, hora a escassez e necessidade de mais.
Talvez seja difícil suportar a escassez que vem, mas sem ela nunca saberíamos como é lindo e poderoso o momento de plenitude.
"Boa noite, Leo. Obrigada."
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