Sonhei que fui atropelada. Não é um sonho incomum, na verdade. Sonho com certa frequência esses acidentes trágicos e, na minha mente perturbada, extremamente assustadores. Nesse sonho eu salvava um menino. Não muito novo, mas ainda criança. Aquele menino, que deveira ser um pouquinho mais esperto graças a sua idade no sonho, atravessou a rua como um anjinho, de braços abertos, como se chamasse o fim. Corri e o alcancei. Senti o baque e acordei. Sempre acordo depois. Fico dias sentindo dor, mas nunca entendo de onde ela surgiu.
Já sonhei que era esmagada por um caminhão que caía do céu. Aleatoriamente começava a chover caminhonetes e caminhões. Acertou-me em cheio, como o carro que acertaria o menino. E, ao fechar os olhos no sonho e sentir o medo e a dor, acordo em um salto tentando me acalmar. Percebo então que não é possível uma chuva de carros e que se um menino corresse em direção a morte um motorista com certeza não o atropelaria. Mas, em meus sonhos, o trágico supera o sentido e tudo acaba no momento depois do fim, com as consequências me perseguindo lentamente na realidade.
terça-feira, 26 de fevereiro de 2013
domingo, 17 de fevereiro de 2013
Para o mundo que eu tô perdida.
Fui com o Caio a uma festa nessa sexta. Num ambiente que eu estou mais que acostumada de ir, esperava um tipo de festa totalmente diferente. Me deparei com uma porcentagem enorme de homens héteros e, para o meu azar, alguns deles não queriam me deixar em paz.
Numa situação dessas veio um rapaz de Brasília conversar comigo. Loiro, alto, de olhos claros e um sorriso muito bonito. Mas era homem. E mesmo sendo o esterótipo europeu que toda avó preconceituosa te ensina a querer, não mexe nem um pouquinho comigo. E o coitado insistiu em tentar. O problema é que não adianta falar "não estou interessada" ou "eu não gosto de homens" pois o que eu mais ouço de resposta é "mas a gente tá se conhecendo" ou a pior de todas "eu não acredito em homossexualidade feminina". Eu sinto muito, meu filho, mas eu acredito. E olha que às vezes eu tabém não queria acreditar. Mas isso não te dá o direito de achar que eu tenho um defeito que você pode consertar. Não te dá o direito de se achar "o cara certo", pois não importa o quão certo você seja, você continua sendo homem e eu continuo sendo lésbica. E eu só queria dançar em paz, isso não era um convite para você se sentir o salvador das sapatas. Não é o meu caso.
Então, faz o favor de me deixar nessa parede dançando. Em nenhum momento eu disse que queria ser perturbada.
Numa situação dessas veio um rapaz de Brasília conversar comigo. Loiro, alto, de olhos claros e um sorriso muito bonito. Mas era homem. E mesmo sendo o esterótipo europeu que toda avó preconceituosa te ensina a querer, não mexe nem um pouquinho comigo. E o coitado insistiu em tentar. O problema é que não adianta falar "não estou interessada" ou "eu não gosto de homens" pois o que eu mais ouço de resposta é "mas a gente tá se conhecendo" ou a pior de todas "eu não acredito em homossexualidade feminina". Eu sinto muito, meu filho, mas eu acredito. E olha que às vezes eu tabém não queria acreditar. Mas isso não te dá o direito de achar que eu tenho um defeito que você pode consertar. Não te dá o direito de se achar "o cara certo", pois não importa o quão certo você seja, você continua sendo homem e eu continuo sendo lésbica. E eu só queria dançar em paz, isso não era um convite para você se sentir o salvador das sapatas. Não é o meu caso.
Então, faz o favor de me deixar nessa parede dançando. Em nenhum momento eu disse que queria ser perturbada.
sábado, 16 de fevereiro de 2013
O extremo da fragilidade.
Sempre tive medo de ser frágil. Sempre passei, nessa história de precisar de alguém me acompanhando, um profundo desconforto. Entretanto, com o passar do anos, entendi que fágil é todo ser humano. Já aceitei que uma vida dura uma vida, sendo isso um segundo ou um centenário. Mas não consigo entender como uma pessoa pode simplesmente destruir alguém.
Ele era um visitante assíduo do meu lar. Era o bobinho que adorava rpg e histórias em quadrinhos. Agora ele é um monstro pra mim. E ele não mudou. Ele nunca foi diferente. Apenas havia um fator que impedia essa visão real dele, e eu me apego a esta visão com qualquer pessoa: Eu não quero ver o quão suja é a sua alma, então não vejo. E quando uma notícia tão assustadora quanto essa bate na minha porta, ela não só bate, ela põe a casa abaixo.
Agora, repensando tudo, eu vejo alguns sinais da realidade. Sentindo assim o desespero me consumir, com tanta força, que me deixa desnorteada. A realidade de que, não importando a sua força, todos são frágeis e ver como é talvez seja a única proteção possível.
Ele era um visitante assíduo do meu lar. Era o bobinho que adorava rpg e histórias em quadrinhos. Agora ele é um monstro pra mim. E ele não mudou. Ele nunca foi diferente. Apenas havia um fator que impedia essa visão real dele, e eu me apego a esta visão com qualquer pessoa: Eu não quero ver o quão suja é a sua alma, então não vejo. E quando uma notícia tão assustadora quanto essa bate na minha porta, ela não só bate, ela põe a casa abaixo.
Agora, repensando tudo, eu vejo alguns sinais da realidade. Sentindo assim o desespero me consumir, com tanta força, que me deixa desnorteada. A realidade de que, não importando a sua força, todos são frágeis e ver como é talvez seja a única proteção possível.
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