Fui com o Caio a uma festa nessa sexta. Num ambiente que eu estou mais que acostumada de ir, esperava um tipo de festa totalmente diferente. Me deparei com uma porcentagem enorme de homens héteros e, para o meu azar, alguns deles não queriam me deixar em paz.
Numa situação dessas veio um rapaz de Brasília conversar comigo. Loiro, alto, de olhos claros e um sorriso muito bonito. Mas era homem. E mesmo sendo o esterótipo europeu que toda avó preconceituosa te ensina a querer, não mexe nem um pouquinho comigo. E o coitado insistiu em tentar. O problema é que não adianta falar "não estou interessada" ou "eu não gosto de homens" pois o que eu mais ouço de resposta é "mas a gente tá se conhecendo" ou a pior de todas "eu não acredito em homossexualidade feminina". Eu sinto muito, meu filho, mas eu acredito. E olha que às vezes eu tabém não queria acreditar. Mas isso não te dá o direito de achar que eu tenho um defeito que você pode consertar. Não te dá o direito de se achar "o cara certo", pois não importa o quão certo você seja, você continua sendo homem e eu continuo sendo lésbica. E eu só queria dançar em paz, isso não era um convite para você se sentir o salvador das sapatas. Não é o meu caso.
Então, faz o favor de me deixar nessa parede dançando. Em nenhum momento eu disse que queria ser perturbada.
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