sexta-feira, 9 de agosto de 2013

O moço que vendia balas.

Não fiquei mais de 3 segundos olhando-o. Ele também não me olhou. Encarava, com um olhar confuso e perdido, o grande outdoor do prédio em construção. Então vi as pessoas dentro da recepção, e me ocorreu que talvez ele tivesse saído de lá. Elas o olhavam com medo e repulsa, como se aquele homem representasse uma ameaça tão grande quanto um exército invadindo o lugar. Um simples homem vendendo balas, com um olhar perdido do mundo parado na rua. Inofensivo. Assustadoramente presente.
Voltei meu olhar para ele algumas vezes na minha caminhada e, em todas as vezes, ele continua estagnado em seu lugar. Até um momento que começou a andar, devagar e não muito firme, pela rua movimentada.
Perdeu-se, se é que algum momento havia se encontrado. Enquanto isso as pessoas da recepção o olhavam felizes com a partida, agradecendo por sua presença não trazer mais perturbações.

Quase como um cego mascando chiclete.

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