domingo, 29 de dezembro de 2013

Como assim você não transa?

Minha primeira vez foi com 17 anos. Antes disso eu tremia na base quando surgia a palavra "sexo". Transar sempre foi uma necessidade e um pavor na minha mente, mas a ideia de ficar completamente despida na frente de outra mulher me dava pontadas intensas no estômago. Homens nunca me trouxeram nem um pensamento de prazer sexual. Ficar pelada na frente deles é e sempre foi tão interessante quanto fazer uma cirurgia de redução de pálpebra: não tenho nenhum interesse, obrigada.
Quando arrumei minha primeira namorada as coisas ficaram um pouco mais difíceis. Eu costumava dizer que não transava porque não conseguia ter uma relação íntima sem confiar na outra pessoa, mas também não queria transar com as minhas amigas. Com um namoro isso não era mais desculpa. E eu e ela sabíamos o quanto eu queria transar com ela - e ela comigo, por saber que seria "a primeira".
Depois dela demorou mais de um ano para ter outra - e não ficamos muito tempo juntas - mas aquele pavor ainda existia. Com a segunda eu lembro de não conseguir tirar a blusa de tão nervosa que ficava ao pensar em ficar completamente nua. Uma loucura completa que eu sei que até hoje se mantém.
A não-aceitação do meu corpo sempre me trouxe situações tragicômicas, mas todas que envolvem minha vida sexual parecem mais sérias. O meu nível de neurose é tão engraçado para os meus amigos que um deles começou a rir quando disse que um dos meus maiores desejos era ter mais liberdade sexual. A única coisa que ele conseguiu dizer, chocado, foi:
- Como assim você não transa? Seu corpo é maravilhoso e você é linda, isso não faz o menor sentido.
Enquanto eu via o choque virar risada, tive que responder.
- Mas eu não acho isso.
E aí tudo vira psicologia e o motivo pelo qual eu faço análise desde antes de saber o que era sexo: na minha cabeça não é assim. Não é assim e não é tão fácil. Por que? Sei lá. Queria saber. Às vezes tudo volta ao tempo dos meus 17 anos, de suar frio e não saber como agir enquanto uma mulher me dizia que me achava bonita e atraente.

Um comentário:

  1. eu bem juro que também já lhe disse isso (sobre ser bonita e sexy e, nesse caso, neurótica); mas entendo como se sente, sei que é factível e possível.

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