quinta-feira, 26 de setembro de 2013

Divagações

Nunca entendi o argumento de “os incomodados que se mudem”, por não entender porque as pessoas se incomodavam com as outras. O que o meu vizinho faz as quatro da manhã de quinta-feira não me diz respeito, a não ser que ele use uma furadeira que impeça de dormir. Aí entraria a frase que não entendo, de acordo com os grandes entendidos... Mas meu vizinho não está apenas me incomodando, ele está me desrespeitando. Um ponto importantíssimo nisso é que eu acordo cedo para estudar, e preciso dormir. Meu vizinho, ao contrário de mim, pode usar livremente seu tempo noturno para furar paredes. Nessas duas situações não é apenas um incomodo, é um desrespeito ao meu momento de descanso e paz. E, para o meu vizinho, é só mais um momento para prender quadros – ou seres humanos, nunca se sabe.
O incomodado não é aquele que se sente desrespeitado, é aquele que não sabe bem o que dizer para o outro parar, mas também não sabe bem o porquê de não estar confortável. O incomodado quer que você sinta que ele está incomodado, mas não saberá explicar. O incomodado é uma besta.

Enquanto me esforço para dormir apesar do barulho da furadeira para prender corpos – se não durmo, pelo menos crio estórias -, percebo quão besta sou por não me pronunciar para o meu vizinho assassino guardador de corpos na parede. Ele não percebe que isso é um desrespeito e existem leis do silêncio para evitar essas situações? E, se me irrita tanto, por que não falo nada? Eu não tenho voz? Eu não tenho direitos?

Por que eu me calo enquanto outra pessoa simplesmente faz o que quer?

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